segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Pais online

“Filiação partidária não pode ser motivo de inimizade" Sábado, 19 Setembro 2009 16:01 Redacção
"Podemos ter pontos de vista ou opções políticas diferentes, mas não deixamos de ser moçambicanos..." O candidato da Frelimo às eleições presidenciais, Armando Guebuza, que terão lugar em Moçambique no dia 28 de Outubro próximo em simultâneo com as parlamentares e para as assembleias provinciais, disse que a filiação partidária dos cidadãos do país em partidos diferentes não os pode levar a se encararem como inimigos, muito menos a lutarem entre eles, porque isso minaria o que é fundamental para todos eles, que é a sua unidade que os faz com que sejam um povo uno e indivisível.
Intervindo na localidade de Chamba, no distrito de Mutarara, em Tete, no quadro da campanha eleitoral que tem vindo a levar a cabo visando assegurar a sua reeleição para o cargo de Chefe de Estado de Moçambique que ocupa desde 2005, Guebuza disse que quando alguém opta por um certo partido diferente daquele que outros possampreferir não o faz com que deixe de ser cidadão de um mesmo e único pais.
'Todos eles continuam moçambicanos, não obstante tenham opções partidárias diferentes, ou tenham pontos de vista divergentes sobre um mesmo assunto', vincou Guebuza, antes de destacar que a tendência de optar por uma certa formação política nunca pode levar os moçambicanos a se encararem como inimigos e muito menos a seconfrontarem, tal como já aconteceu no passado como agora nesta campanha em que tem ocorrido alguns confrontos entre apoiantes de uns e outros partidos.
Guebuza vincou que essa tendência deve ser travada a todo o custo, reiterando que não há nada que pode justificar que os moçambicanos voltem a se guerrear, muito menos quando o pomo da discórdia é a filiação partidária que cada um prefere.
'Podemos ter pontos de vista ou opções políticas diferentes, mas não deixamos de ser moçambicanos e de pertencermos ao mesmo pais. Mesmo numa família, pode haver pontos de vista diferentes, mas não deixa de ser uma mesma familia', disse para evidenciar a sua tese.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

CAMPANHA ELEITORAL

Decorre em todo o território nacional a campanha eleitoral. Partidos políticos e coligações tudo (?) fazem para conquistar o voto, uns melhores que outros em termos de organização. Não se pretende aqui procurar vasculhar organogramas de partidos nem os seus cofres, embora, na verdade, a organização e o dinheiro sejam factores determinantes para uma vitória eleitoral. O presente texto tem como coluna vertebral as promessas eleitorais.
Todos partidos, aliás os quatro partidos de facto existentes, nomeadamente: o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) e o Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD) lançam as suas promessas sobre o futuro melhor. As entranhas de tais promessas estão intoxicadas de ambiguidades gritantes. Enquanto alguns socorrem-se do passado para prometer o futuro, não conseguem explicar o presente. Não conseguem nos dizer, por exemplo, as razões de falta de habitação para a juventude hoje e como colmatará a situação nos próximos cinco anos; não explicam porquê um jovem recém-graduado tem que ostentar um currículo que lhe confere pelo menos cinco anos de experiência na sua primeira candidatura ao emprego. Outros evangelizam o futuro brilhante para a camada juvenil actual, mas na letra não se diferem daqueles que nada fazem neste matéria. Todas as promessas são iguais e ninguém se dedica à explicação de como cumprirá tais promessas.
Como não bastasse, todas promessas são genéricas. Prometem construir habitações, escolas, hospitais, estradas, pontes e outras unidades sociais. Porém, não quantificam. Não dizem quantas casas serão construídas até ao fim do mandato; não se preocupam com declarações de quantas escolas, estradas, pontes e quantos hospitais serão erguidos até 2014. Esta é uma acrobacia política para confundir o povo, pois, sem indicadores quantitativos este não terá como cobrar resultados. O risco disso é, o partido ganhador que formará o governo, vir a declarar uma escola, um posto de saúde, uma estrada e uma ponte, construídos durante cinco anos. Quem exigirá mais se eles não quantificaram?
Em adição, não há debates políticos sérios sobre a economia, a sociedade e a segurança interna e externa. Assuntos do género estão a ser substituídos por troca de acusações, auto – bajulação e corrida desenfreada ao bolo eleitoral. Por exemplo, não parece prudente colocar Cahora Bassa, Ponte sobre o Zambeze Caia-Chimwara ou reabilitação tremida da Estrada Nacional Nº1 na agenda eleitoral. De facto, estas obras são importantes para o desenvolvimento do país, mas poderia ter constituído matéria eleitoral em 2004. O Povo não deve viver de história. A proclamação de tais acções só atrapalha a atenção do eleitorado interessado em mudar o rumo dos acontecimentos.
É preciso haver promessas concretas e quantificadas. É tarefa da juventude deve militar na exigência de promessas claras, nem que seja necessário recorrer a manifestações generalizadas! Lembrem-se: os jovens derrubaram o colonialismo em Moçambique; os jovens criaram cisma no Congresso Nacional Africano, resultando na queda precipitada do Presidente Thabo Mbeki na África do Sul. O que falta para haver uma juventude militante e revolucionaria em Moçambique?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

EXORTAÇÃO

“Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.” (Mateus 26.2).
Inclina a sua cabeça e entoe o hino do glorioso partido. É no partido vermelho onde se come, se bebe e se dorme. Pensar é proibido. O partidao é uma ceita religiosa em que os estatutos do partido são a escritura sagrada. Quem tentar reflectir e pensar diferente é imediatamente amputado socialmente: não apanha emprego, não estuda; se estuda não passa; se trabalha não é promovido; se for promovido é transferido para zonas recônditas; sim, lá no cemitério dos conceitos de água potável, luz, vias acesso; lá onde a noção de Internet e telefone ainda é a terra prometida pelo Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob; lá onde viver é sinónimo de morrer. E para o calvário te pesar mais é te atribuído nomes diversos, desde os de traidor, corrupto, até ao pedófilo se for professor ou necrofilia se for médico ou enfermeiro e ainda, vendedor da pátria, se for comerciante.
Declina-te perante dragão de sete cabeças se não queres ser atirado ao fogo de enxofre pelo anjo Gabriel furioso e profundamente magoado pelo teu pecado de pensar diferente. Isso mesmo, pecado de pensar que podes muito bem trazer o Novo Testamento da Democracia chamado Constituição da República para uma Terra Santa do Islão cognominado Frelimolândia. Todos aqueles que tentam opor-se contra o regime são julgados pela Xaria.
Todos cidadãos de outras nacionalidades são xenófobamente expurgados e queimados vivos num campo de concentração conhecido por marginalização. Refiro-me dos cidadãos provenientes da Renamolândia, Emideemilândia, Pimolândia, Pededelândia, entre outros. Os seus líderes são politicamente guilhotinados. Nesta pátria é incinerado, física, moral, social, cultural e politicamente todo aquele que pensa diferente. Por exemplo, à parelha do Eduardo Mondlane, Lázaro Kkavandame, Urias Simango, Samora Machel, Carlos Cardoso, e Sibasiba Macuácua que bateram bota pelo imperativo de pensar diferente, outros como Daviz Simango, Raúl Domingos, Yacub Sibindy estão encarcerados na cadeia de máxima segurança: a Cadeia Nacional Estratégia (CNE).
Ergue a cabeça e procura um exílio se te achas um ser pensante. Se te consideras académico, alia-se ao grande partido. Pelo contrário, não encontrarás espaço para contribuíres para o desenvolvimento dessa pátria como aconteceu com o perecido Dr. David Aloni. Os teus artigos, contenham o que contiverem, nunca serão publicados nos jornais da praça porque todos eles são comandados superiormente pelo Conselho Superior de Comunicação Social denominado Comité Central ou Santa Sé. Os seus livros serão queimados pela Santa Sé e você será vítima de inquisição, acusado de Heresia.
És empreendedor? Veste-te de vermelho, decorado de enxada e maçaroca. Assim não morrerás de fome e as tuas empresas não entrarão em falência. Mesmo falindo todas, continuarás a comer porque serás Presidente do Conselho de Administração de alguma empresa nem que seja de criação das aves menos procuradas e mais estranhadas de patas feias e pouco higiénicas.
Alia-te ao partido dominante. É ele que fez a pátria nascer, é ele que faz tudo quanto temos assistido: a corrupção, o burocratismo, o deixa-correr, eliminação dos adversários políticos e implantação de um regime monolítico, monótono e monopartidário, déspota…enfim, mata a democracia tida como único sistema político possível num sistema internacional difuso em que vivemos actualmente.
Por isso, reitero: inclina a sua cabeça e entoe o hino do glorioso partido. É no partido vermelho onde se come, se bebe e se dorme. Pensar é proibido. O partidao é uma ceita religiosa em que os estatutos do partido são a escritura sagrada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ecos do Monte Domwe: Moçambique Mudou?

“ (…) é consenso nacional, partilhado pela comunidade internacional, que Moçambique mudou”. Armando Guebuza, in Jornal Notícias.
Escrevo do cume do ponto mais alto da Província de Tete - Monte Domwe. Tenho comigo um caderno e pedaço de Jornal notícias. Na página frontal confronto-me com o seguinte título: “Moçambique mudou - Armando Guebuza, no encerramento da sessão do CC da Frelimo, que considera que tal se deve ao cumprimento das promessas feitas em 2004”.
Ai, sem hesitação, vasculhei a minha mente, olhei para os arredores. Felizmente, daqui do cume de Domwe vejo longe. Vejo as pessoas, as povoações, as artérias, os caminhos, machambas, as infra-estruturas sociais…de todos distritos da província que me pariu e do distrito – meu berço. Vejo todas as acções governamentais do Zumbo a Mutarara, de Angónia a Changara. Mas porque não posso me deter em tudo, concentro-me nesse planalto mais elevado do país – o Planalto de Angónia - dividido em Angónia, Tsangano e Macanga. Assim repenso na afirmação do Camarada Presidente nos seguintes temormos:
Moçambique mudou;
Angónia, Tsangano e Macanga, são distritos de Tete, uma das províncias de Moçambique,
Angónia, Tsangano e Macanga mudaram.

Diz-se que é consenso nacional e internacional que Moçambique mudou, porque alocou-se aos 128 distritos do país do Fundo de Investimento de Iniciativas Locais, (sete milhões de meticais), aumentou-se a produção e a produtividade agrárias e introduziu-se culturas onde antes não eram praticadas ou há muito que tinham sido abandonadas, reformou-se o sector público e expandiu-se as redes escolar, sanitária e de abastecimento de água. Por outro lado, a construção de mais estradas, pontes, ferrovias, redes de telefonia fixa e móvel, a extensão de energia eléctrica a mais distritos e bairros suburbanos, a expansão do Ensino Técnico e a implantação de instituições de Ensino Superior em todo o país reforçam o leque das realizações apontadas pelo Chefe de Estado.
Pela lógica acima formulada, é igualmente consenso nacional e internacional que Angónia, Tsangano e Macanga mudaram. Será? Daqui do monte vejo que efectivamente alocou-se os sete milhões aos habitantes do Belo Planalto, mas apenas os membros dos Conselhos Consultivos, seus familiares e amigos é que receberam, não se descurando dos membros do nosso glorioso partido. Portanto, é consenso nacional e internacional que Moçambique mudou. Não é consenso nacional que os distritos mudaram. Daqui do monte Domwe testemunha-se que mudou o esquema de distribuição de fundos entre os que sempre tiveram acesso aos recursos. Assim grito e o Domwe faz eco: os sete milhões não estão a combater a pobreza! Perpetuam as desigualdades, a corrupção e o burocratismo no Planalto de Angónia!
Novas culturas efectivamente foram introduzidas. Vejo tabaco, gergelim, paprika… São factos. Vejo igualmente a corrida desenfreada a Tsangano para massificar a produção de trigo. Porém, não vejo acções de reflorestamento para compensar a destruição indiscriminada de árvores em consequência do fomento de cultivo de tais culturas. Os socalcos do Domwe estão nus. A nudez vegetal cobre igualmente Ntakasa, Mwezi, Ng’andu, Dzenza – Manyenyezi, Chidzolomondo, Kauziuzi -Água-Boa…Por isso, não creio ser consenso nacional e internacional que neste aspecto Moçambique mudou, Angónia, Tsangano e Macanga não mudaram.
Grito de viva voz e em bom som, com o Domwe a fazer eco, que a rede escolar se expandiu. Até lá em Mtengo-Wa- Mbalame tem uma escola secundária. Chidzolomondo vai ter uma escola secundária, a sede de Tsangano tem uma escola secundária… Mas, fico rouco e nem Domwe me ouve quanto a expansão das redes sanitária e de abastecimento de água. Vejo as mamãs e as meninas a sairem dos poços tradicionais com baldes de água. Aqueles furos convencionais de águas que a Cruz Vermelha, a Água Rural e a Federacao Luterana construíram na longínqua década 90 estão todos inoperacionais. Não vejo novos Centros de Saúde. Nesse aspecto Angónia, Tsangano e Macanga não mudaram.
Concordo com a expansão de energia eléctrica. A linha passa até da minha machamba lá para as bandas de Mthini. Macanga, Domwe, Vila Ulongwe, Fonte – Boa, Mtengo-wa-Mbalame e Tnsangano -Sede estão iluminados. Neste aspecto “Cahora Bassa é Nossa!”. Mas ao longo da linha (estradas que ligam Macanga, passando de Domwe à Ulongwe, e de Ulongwe passando de Fonte –Boa, Mtengo wa Mbalame , Tsangano Sede, até Mphulu e de Mtengo wa Mbalame a Biriwiri, estão todas esburacadas. Não há meios de transporte de bens e pessoas por causa disso. As tais culturas acima mencionadas que as vejo daqui do Monte Domwe, estão a deteriorar-se por falta de escoamento. Nem aquelas bicicletas conseguem dominar a fúria dos buracos. Pavimentar tais estradas é mudar Moçambique, é desenvolver o Planalto de Angónia.
Expansão do ensino técnico e superior? Se se expandiu só lá entram os que conseguem pagar, mais de 80% provenientes de famílias das mesmas pessoas que produzem relatório de consenso nacional e internacional sobre a mudança de Moçambique e, logicamente, falam da mudança do Planalto de Angónia. Daqui do Monte contemplo a Universidade do Zambeze, lá na Escola Secundária de Ulóngue e o Instituto Superior Cristão (HEFSIBA). Contemplo igualmente o Instituto de Formação de Professores de Angónia. Poucos são processos limpos. Muitos de seus estudantes entram por cunho dos seus progenitores, familiares e amigos. Isso piora com a política de Unidade Nacional na formação de professores primários. Dai, que grito e o Domwe faz eco: Angoni ali pa diwa la katangale (os Ngoni estão na armadilha da corrupção). Por isso, o Planalto não mudou.
No capítulo sobre auto-estima não vejo. A nossa economia cá no Planalto depende dos nossos irmãos Ngoni do Malawi. A moeda que nos serve é Kwacha. É lá onde temos lojas, moagens, insumos agrícolas, silos agrícolas, sem falarmos da cultura. O hino, as danças, a musica, a gastronomia ultrapassam estas fronteiras menos claras que o colono forçosamente nos herdou.
Teremos auto-estima quando tivermos todos problemas acima mencionados completamente resolvidos. Entendemos que auto estima vem do desenvolvimento e não o contrário, e nem deve vir em forma de rajada política do quadrante sul e norte, vermelho e amarelo, nem do canto do galo ou cacarejar da perdiz, para às nossas mentes.
Agora que devo descer daqui do cume do Monte-Domwe, por temer que me façam descer de outras formas apropriadas para silenciar a verdade, lanço o último grito e o Domwe faz eco:
Angónia, Tsangano e Macanga não mudaram;
Angónia, Tsangano e Macanga, são distritos de Tete, uma das províncias de Moçambique, logo;
Moçambique não mudou!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

FRELIMO. MDM. RENAMO: Resultado da Eliminatória

Tem sido frequente nas vésperas de eleições assistir-se o reaparecimento dos partidos políticos que, depois destas, desaparecem da cena política nacional. Com a excepção do partido no poder e da Renamo, os outros partidos não se fazem sentir, nem se fazem conhecer. Entretanto, nas vésperas dos pleitos eleitorais ressurgem, alguns com objectivos super ambiciosos de dirigir os desígnios da nação Moçambicana, através de caça desenfreada ao voto do glorioso povo moçambicano. A minha inquietação é: onde andam esses partidos em tempos que o povo carece de amparo e directrizes políticas sérias quando porventura se vê abraçada pela decepção e frustração com os resultados práticos do seu voto?
Moçambique possui mais de quatro dezenas de partidos políticos, mas o povo está mais familiarizado com a hegemónica Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), a cátedra da oposição moçambicana Resistência Nacional de Moçambique, o camaleão Partido Independente de Moçambique (PIMO), o utópico Partido Trabalhista e mais recentemente, o Partido para Paz e Democracia e Desenvolvimento (PDD) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Os restantes partidos andam em cofres fechados dos bancos de falta de iniciativas e ambições, que apenas se abrem de cinco em cinco anos.
Fora do partido dominante, os tidos como conhecidos quando aparecem só decepcionam, pois ao vez de permanentemente se apresentarem como alternativa governativa credível, desperdiçam a oportunidade de antena e cobertura jornalista para nos vociferar com discursos desconexos, contradições internas e gritantes atropelos à ética política e irremediável falta de cultura de Estado.
Em momentos de crises sociais onde deveriam intervir com propostas aliciantes pura e simplesmente se distanciam. É o caso do velho e mal parado problema dos Madjermanes, da crise de 5 de Fevereiro de 2008, morte de reclusos em Mongincual, crise financeira mundial, crise dos combustíveis, a fome em várias regiões do país, só para citar alguns exemplos. O mesmo deveria acontecer nas datas importantes da nossa História tais como 25 de Junho, 25 de Setembro, 4 de Outubro, entre outras.
Em contrapartida e como dizia, esses partidos só aparecem em tempo de campanhas eleitorais. Quem irá escolher um partido ou líder que desconhece? Porque é que esses partidos desaparecem logo depois das eleições e reemergem na véspera destas?
O presidente do PDD, Raul Domingos, disse em entrevista à Agencia Lusa, citado pelo O País de 12 de Agosto de 2009, que os partidos políticos não têm tido “igualdade de oportunidades na realização das suas tarefas político-partidárias” e que o terreno não é mais nivelado. Não credito que seja esse o verdadeiro problema. Só o facto de haver abertura para uma miríade de partido já é sinal de que há espaço para todos, independentemente do seu tamanho. Por outro lado, a actividade política é uma luta permanente pelo poder, pelo que cada partido deve fazer tudo ao seu alcance para conquistá-lo e só se conquista o poder trabalhando no terreno.
Em adição, culpabiliza-se à alegada “partidarização da função pública, onde a Frelimo montou células, e pelo controlo dos órgãos de comunicação social do sector público e das universidades públicas pelo partido no poder”. Não concordo nem discordo. Apenas defendo que o cidadão quando vai às urnas vai sozinho e o voto é muito secreto. É minha convicção que podemos manipular facilmente os animais e as máquinas ao nosso bel-prazer, menos a mente humana.
Explico-me. Se algum partido mostrar trabalho sério ao ponto de superar o partido dominante, com certeza vai virar a página política do país, positiva ou negativamente. A vitória do candidato independente nas eleições autárquicas de 2008 na Beira mostrou isso. Daviz Simango venceu e convenceu todos os seus adversários e não creio que todos os que votaram nele foram os vendedores informais e desempregados da cidade da Beira. Devem ser inclusivamente funcionários públicos tidos como manequins da Frelimo.
A hipótese seria a que o Raul Domingos avançou: “as divisões na oposição moçambicana, devido a ambições pessoais e interesses de grupo, também fragilizam a possibilidade de uma frente comum contra a hegemonia da Frelimo na cena política moçambicana, desde a proclamação da independência do país em 1975”. Essas ambições fazem provavelmente com que líderes de tais partidos só acordem na véspera das eleições quando se apercebem que há bolo para campanha eleitoral.
Como resultado, não consegue ter um número suficiente de proponentes (membros e simpatizantes) que suportem as suas ambições políticas e quiçá, económicas. O desastre que estes partidos conseguiram este ano – a reprovação ou não passagem na eliminatória, supervisionada pelo Conselho Constitucional. Por exemplo esperávamos ter os seguintes candidatos nas eleições de 2009: Armando Guebuza, da Frelimo e actual presidente da República, Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e actual edil da Beira, na província central de Sofala, Afonso Dhlakama, da Renamo, Yacub Sibindy, do Partido Independente de Moçambique (PIMO), Raul Domingos do Partido para Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Khalid Sidat, da Aliança Independente de Moçambique (ALIMO), Leonardo Cumbe, do Partido Unido de Moçambique da Liberdade Democrática (PUMILD), José Ricardo Viana, da União dos Democratas de Moçambique (UDM) e Artur Ricardo Jaquene, da Coligação União Eleitoral, organização composta pelos Partidos Ecológico de Moçambique (PEMO) e da Unidade Nacional (PUN) Destes apenas três passaram: Simango, Guebuza e Dhlakama. Isto é fruto da inoperância, preguiça, desorganização, entre outros atributos conducentes à derrota, que se contrapõem aos notórios trabalhos dos partidos/ lideres apurados.